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Governo Lula privatiza a Amazônia Legal por General Schroeder Lessa

Agosto 3, 2006

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A Amazônia está sob sério risco, não de uma invasão militar iminente, mas “de uma invasão branca, sem armas”.

Trata-se da Lei de Gestão de Florestas Públicas (este seu nome oficial), que já foi aprovado na Câmara e no Senado.

A denúncia é feita por uma das mais respeitadas figuras do Exército, o General Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, atual presidente do Clube Militar e ex-chefe do Comando Militar da Amazônia.

Em declarações e pronunciamentos, o General Lessa chama atenção para as ameaças que rondam a região amazônica, em virtude se suas imensas riquezas minerais e de sua incomparável biodiversidade, além da posição vital que ocupa no xadrez dos grandes interesses mundiais.

“Isso é um absurdo, uma arriscada privatização”, afirma, referindo-se ao projeto de lei dispondo sobre o uso e a exploração das florestas públicas.

O cerco à Amazônia

Ao proferir palestra no Instituto Leonel Brizola e Alberto Pasqualini, órgão cultural do PDT, no Rio, o General Luiz Gonzaga Lessa traçou um quadro alarmante da Amazônia, denunciando a campanha internacional para transformar a região num bem público mundial, de soberania relativa. Para o general, isso acontece, porque, além de possuir 95% das riquezas minerais, a Amazônia detém 1/5 da água doce e o maior banco genético em biodiversidade do Planeta. Afirmou também que daqui a 50 anos, metade da população mundial não terá água. “Com toda essa água no Brasil”, indagou, “vamos ter força para negociar soberanamente o seu uso?”.

O general Lessa, ao mesmo tempo, condenou duramente o Projeto de Lei 4476 que prevê a gestão de florestas públicas no País. “Ele vai concorrer para fazer o desmatamento sem controle, pois não há fiscalização suficiente. Vamos atribuir áreas enormes para empresas nacionais e estrangeiras, sem controle. Isso é um absurdo, uma arriscada privatização do uso das florestas, concedido por até 40 anos. Me pergunto: depois desse prazo teremos condições de recuperar aquelas terras?”

A perplexidade do general aumenta quando comenta a autoria do projeto. “Quem está fazendo isso? É o governo atual. Durante a gestão de FHC esse projeto ficou parado. Hoje quem defende sua implantação é o governo Lula através da ministra do Meio Ambiente Marina Silva, uma ambientalista que respeito muito. Só que ela está absolutamente equivocada. É uma loucura que foi aprovada pela Câmara e pode ser referendada pelo Senado. É um risco desnecessário, a Amazônia já corre perigo. Por que vamos aprovar isso?”.

A Amazônia hoje

“Infelizmente, o problema da Amazônia não vem de hoje, remonta a muitos anos e se torna cada vez mais agudo”, prossegue o general Lessa. “O que temos que discutir é a segurança da Amazônia. Todos imaginamos que ela está em perigo, mas não temos a noção real dessa ameaça. Nove países dividem a soberania da Amazônia, apesar da sua extensão ser maior em território brasileiro (58%). Ademais da grande quantidade de água, seu banco genético em biodiversidade é o maior do mundo, quase totalmente inexplorado. É a nossa grande riqueza; é dali que vão sair quase todos os novos remédios e outros produtos importantes. Veja-se que a Europa inteira, com exceção da Rússia, cabe na Amazônia e com folga. Só isso prova a responsabilidade que temos para com o futuro, com nossas próximas gerações.”

“Quais os minérios que não existem na Amazônia?” – continua. “Ela tem praticamente todos, em maior ou menor proporção. O que é explorado disso? Muito pouco. Carajás é grande produtora de minério, quase todo destinado à exportação. A Região do Trombeta tem exploração de bauxita e alumínio. Urucu é muito promissor em hidrocarbonetos, em petróleo e gás, que constitui a maior reserva do Brasil em território continental (excluindo-se a plataforma marítima). Existe um projeto de gasoduto Urucu-Manaus de 700 Km, que pode sair ainda este ano, ao longo de selvas e pântanos. A área possui um potencial enorme em início de exploração. Em São Gabriel da Cachoeira, no extremo Norte da Amazônia, encontra-se a maior reserva de nióbio do mundo. Fica no local conhecido como Região dos Seis Lagos. O nióbio é um metal raro, nobre, que é usado na produção de veículos, naves espaciais, instrumentos de precisão e até foguetes. Temos 95% da reserva desse minério no Planeta. Mas está quase inexplorado. Tudo o que produzimos é retirado de Araxá, em Minas Gerais.

As veias e artérias da Amazônia constituem a maior bacia hidrográfica do mundo. Representa 2/3 do potencial hidrográfico do País. De onde virá a energia elétrica do futuro? Virá da Amazônia. A hidroelétrica de Tucuruí, que hoje produz 4 bilhões de megawats, está sendo ampliada para gerar o dobro, sem inundar nada, sem tirar terra de ninguém. Temos ainda projetos promissores no Xingu, Tapajós, Rio Madeira. O importante é que isso seja explorado com benefícios para a região. Quando fui Comandante Militar da Amazônia há quatro anos, nós tirávamos a energia elétrica de Tucuruí, abastecendo todas as cidades ao longo dos rios. É o chamado “linhão”, um grande cabo transmissor, que praticamente atende todas a cidades e vilas.”

Água: bem em extinção

“Eu já disse que 20% da água doce do mundo estão no Brasil, sendo 80% na Amazônia. Água é riqueza; quem tem água tem tudo. O mundo é sedento desse produto. Segundo a Organização Internacional do Trabalho – OIT, daqui a 25 anos faltará água para metade da população mundial. Estou falando de água na Amazônia, sem contar com o imenso reservatório chamado Aqüífero Guarani, no Sul do País, com potencial para atender nosso consumo por 400 anos. Com toda essa água no Brasil, vamos ter força para negociar soberanamente essa riqueza, ante as pressões que sofreremos? Teremos condições de dizer que, se quiserem comprar, nós vendemos, mas pelo preço que estipularmos? Não se vende petróleo? É a mesma coisa. Hoje vários países exportam água, entre eles o Canadá e a Turquia. Nós também iremos exportar. Essa riqueza tem uma grande vulnerabilidade no Brasil, por falta de condições de defesa de nosso patrimônio.”

Intervenção estrangeira na Amazônia

“O conceito de soberania está alterado e perde força cada vez mais. Pode-se alegar que há destruição de florestas e desrespeito às comunidades indígenas. Isso pode dar motivos que “justifiquem” uma provável intervenção estrangeira. Existe uma campanha na imprensa mundial dizendo que não podemos derrubar sequer uma árvore na Amazônia ou matar um jacaré para a sobrevivência da população. Só que existem áreas de transição onde não há florestas e é exatamente onde está a maioria de focos de incêndio. Essa área é a fronteira agrícola brasileira. A área do bioma amazônico continua intacta. Claro, que mesmo assim, temos que monitorar a região.

No tocante à questão indígena, quase 22% do Estado do Amazonas é destinado aos índios; no Pará, 20%; e em Roraima, 58%. Naquelas áreas não é possível exercer qualquer atividade econômica.”

Soberania

“Hoje existe a idéia de transformar a Amazônia num bem público mundial, de gestão coletiva. Falam em soberania relativa. Quem defende isso? Recentemente, esse moço chamado Pascal Lamy defendeu a tese na condição de comissário da União Européia. De lá pra cá foi escolhido para ser o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio – OMC. Não é um paspalhão qualquer. Vejam as portas abertas que tem pelo mundo afora para propagandear suas idéias. Lamy propõe uma estrutura de governança global na Amazônia.”

Projeto de Gestão de Florestas Públicas

“Isso é uma arriscada privatização da Amazônia,”, repete o general Lessa. “Já existem leis aprovadas que podem preservar a floresta, mesmo explorando-a economicamente. O projeto de lei 4476 que prevê a Gestão de Florestas Públicas tem o pretexto de preservar, mas nós sabemos que pelas experiências em diversas partes do mundo – Indonésia, Malásia, Austrália – ele não terá esse papel. Vai concorrer para fazer o desmatamento sem controle, pois não há fiscalização suficiente. Vamos atribuir áreas enormes para grandes empresas multinacionais praticamente sem fiscalização. Isso é um absurdo, uma arriscada privatização do uso concedido por até 40 anos. Me pergunto se ao fim da concessão iremos recuperar aquelas terras.

Mas quem está fazendo isso? É o governo atual. Durante a gestão de FHC esse projeto ficou parado. Hoje quem defende sua implantação é o governo Lula, através da ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que, como disse, é uma ambientalista que respeito muito. Só que ela está absolutamente equivocada. Essa loucura foi aprovada pela Câmara e pode ser referendada pelo Senado. É um risco desnecessário, a Amazônia já corre perigo. Por que vamos aprovar isso? O pior é que o projeto não foi criado por nós brasileiros. Qual foi a inspiração do governo para apresentar essa lei? Foi na Austrália, onde existe um projeto semelhante, que já está afundando, não está dando certo. O mais absurdo é que os representantes do governo foram à Austrália com despesas pagas pelo governo norte-americano. Como pode? Funcionários nossos irem lá com dinheiro de uma agência dos EUA e trazerem uma idéia como essa, tão nociva ao Brasil?”


*Presidente do Clube Militar e ex-chefe do Comando Militar da Amazônia.

O aluguel da floresta amazônica

Julho 31, 2006

http://port.pravda.ru/
O Senado aprovou, na quarta-feira 01/02, o chamado Projeto de Lei de Gestão de Florestas Públicas, que nada mais é do que a privatização da Amazônia. Ele cede 47% (235 milhões de hectares) de todas as terras da Amazônia para exploração de empresas estrangeiras por 40 anos, renováveis por mais 40.
A senadora Heloísa Helena votou contra o Projeto, e, no seu discurso durante a sessão, expôs argumentos que embasaram sua decisão: “trata-se da gestão privada da floresta pública, cujo gestor privado terá apenas ganhos.
Como não terá sequer despesa da compra da terra, ele simplesmente passará a administrar o rendimento da exploração da terra. E quem sabe o que vai acontecer daqui a dez, vinte, trinta, quarenta, oitenta anos? A legislação é alterada, e se entrega a terra vazia. A terra vazia é o que pode ser simplesmente entregue para as futuras gerações.
O debate, neste caso, está diretamente relacionado à concepção do brasileiro, à concepção de gestão pública ou de gestão privada de terras públicas, à flexibilização da legislação, o que pode, de fato, acontecer em relação à nossa querida Amazônia”.
O ambientalista do PSOL/DF, Múcio Nobre, exibiu, da galeria do plenário, uma faixa em que estava escrito: “Não à privatização das florestas” e protestou dizendo que o projeto era uma verdadeira exploração criminosa das nossas florestas. Ele foi retirado à força da galeria pelos seguranças da Casa.

PSOL

Internacionalização da Amazônia por Aziz Ab’Saber

Julho 20, 2006

16.05.2005
http://port.pravda.ru

Sobre Projeto de Lei 4776/05, que concede a gestão de florestas brasileiras a empresas, inclusive multinacionais, o professor Aziz Ab’Saber diz: “esse projeto não poderia existir, é vergonhoso, repulsivo, traidor, escandaloso, inaceitável.

O mínimo que se espera é que o governo reveja sua posição e retire o PL de tramitação, para que seja melhor discutido”.

O Projeto de Lei 4776/05 que institui a concessão de florestas públicas no Brasil, encaminhado ao Congresso, em fevereiro deste ano pelo Poder Executivo, intensificou o debate sobre a internacionalização da Amazônia. A proposta, que tramita em regime de urgência (prazo para votação na Câmara é 29/05), prevê a disponibilização de até 13 milhões de hectares de florestas da Amazônia para ‘concessão de uso sustentável nos próximos dez anos’.

Segundo o governo, ‘o objetivo é combater a grilagem e impedir a privatização de terras públicas’. Entretanto, o verdadeiro teor desse projeto é justamente o contrário do que propõe o argumento oficial: ele promove a legitimação e ocupação da região pelo grande capital mundial, pois prevê a concessão de florestas públicas para a exploração das empresas, por até 60 anos.

Caso o PL 4776/05 seja aprovado, o governo, além de privatizar as nossas florestas, aprofundará o desmanche do Ibama para atender os interesses das empresas transnacionais e de seus aliados nacionais. É mais um ato para atender o que consta do Relatório nº 24182-BR/Banco Mundial, de 20/05/2002, onde informa que “o Banco está preparando um relatório sobre o desflorestamento na Amazônia e os resultados dessa avaliação devem subsidiar a formulação da estratégia de assistência do Banco”.

Um abaixo-assinado condenando o projeto – acompanhado por um manifesto escrito pelo geógrafo e presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Aziz Ab’Saber – já foi enviado ao Congresso e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento afirma que o PL “introduz um conjunto de mecanismos e favorecimentos que só tendem a beneficiar as grandes corporações, entre nacionais e estrangeiras, do tipo madeireiras asiáticas e européias, reconhecidamente as maiores promotoras dos desmatamentos e exportações de madeiras em nível mundial”, como bem definiu o professor Ab’Saber, “esse projeto não poderia existir, é vergonhoso, repulsivo, traidor, escandaloso, inaceitável.

O mínimo que se espera é que o governo reveja sua posição e retire o PL de tramitação, para que seja melhor discutido”.