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Amazônia: Colômbia vê privatização como uma saída

Novembro 19, 2006

http://odia.terra.com.br – 18/11/2006

Vice-presidente admite ‘vender a preservação’ da floresta

Rio - A proposta de privatização da Amazônia — que teria sido defendida por ministro inglês, que mais tarde desmentiu a intenção — provoca muita polêmica no Brasil e na América do Sul. Em recente entrevista O DIA o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos Calderón, disse que considera a idéia uma “boa proposta”, se servir para parar a destruição da Amazônia, apesar de reconhecer a necessidade de se tratar o assunto com muita cautela.

“Devemos tentar conhecer a proposta com muito cuidado, mas, se for uma idéia para impedir a destruição da Amazônia do jeito que está acontecendo, me parece boa. Não podemos seguir destruindo a Amazônia. Estamos a caminho de uma catástrofe ambiental sem precedentes, e tudo o que for feito para proteger a selva me parece que vale a pena analisar”, opinou o vice-presidente colombiano, que, no mês no passado, visitou o Rio de Janeiro para divulgar o turismo em seu país.

Francisco Santos Calderón, que já foi seqüestrado pela quadrilha do megatraficante Pablo Escobar, advertiu que “não pode acontecer que, para defender a soberania na Amazônia, estejamos acabando com a selva”.

Em outubro, o jornal britânico ‘Daily Telegraph’ informou que o ministro de Meio Ambiente da Inglaterra, David Miliband, defendeu que a Floresta Amazônica seja administrada de forma privada, por fundo internacional. Depois, disse que foi um “mal-entendido”.

Para Brasil, situação já está melhor

Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, a redução de 30% no desmatamento desde o ano passado é uma importante resposta a qualquer proposta de privatização da Amazônia para a conservação da natureza.

“Temos um recuo (do desmatamento) acumulado de 52%. Ninguém está comemorando, mas estamos mostrando que o poder público pode reverter o quadro”, afirmou, classificando a proposta de comprar terras na Amazônia para proteção de “absurda”. “Temos que proteger o que é especial e investir no uso sustentável responsável, porque há pessoas lá que precisam de emprego”, disse. O ambientalista Vilmar Berna também discorda da privatização: “A ajuda estrangeira seria bem-vinda, mas sem violar a nossa soberania”, destacou.

Recentemente, o empresário sueco Johan Eliasch comprou de uma madeireira uma área maior que a de Londres, na Amazônia, e já disse que o mundo deve pagar ao Brasil pela proteção da floresta. A empresa, no entanto, trabalhava com madeira certificada, além de dar empregos na região.

Ajuda de US$ 50 de famílias ricas

A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional aprovou segunda-feira requerimento do deputado federal Carlos Souza (PP-AM) para audiência pública que discuta a criação de um Fundo Internacional de Preservação da Amazônia.

A proposta tem como base uma pesquisa feita pela universidade College London, que mostra que famílias de países ricos estariam dispostas a pagar até U$ 50 por ano para garantir a preservação da floresta.

O dinheiro seria arrecadado pela ONU e administrado pelo governo brasileiro, que implementaria uma política de compensação ambiental na Amazônia, pagando aos proprietários da terra pelo serviço de preservação.

O parlamentar diz que o desmatamento só ocorre porque é vantajoso para o proprietário da terra: “Para a preservação da Amazônia ser mais lucrativa para o País que sua devastação, o mundo teria que compensar os brasileiros pelos serviços ambientais da floresta. Isso levaria a uma preservação economicamente viável”.

“AMAZÔNIA É UM BOM NEGÓCIO”

Outubro 18, 2006

http://www.terra.com.br

Johan Eliasch, o milionário conta seus planos à DINHEIRO: O senhor quer comprar a Amazônia?

Não. Minha intenção é investir na preservação da floresta. Como o senhor irá levantar recursos para isso?
Vou em busca de empresários e dos governos dos países ricos, que sofrem com tragédias causadas pelas variações climáticas.

A comunidade internacional é sensível à sua proposta?
Sim. Os desastres naturais provocam prejuízos de bilhões de dólares e matam milhares de pessoas a cada ano. Por que o senhor decidiu iniciar essa cruzada?
Acredito que é um bom negócio investir na preservação da Amazônia.

A AMAZÔNIA EM NÚMEROS Extensão: 5,1 milhões de quilômetros quadradosPotencial de arrecadação com crédito de carbono: US$ 160 bilhões Prejuízo com queimadas: US$ 5 bilhões por ano (problemas de saúde e interdição de aeroportos, por exemplo)População: 20 milhões de pessoas Principal projeto da União: Área de Proteção da Amazônia (Arpa), que deve receber US$ 391 milhões até 2016.

Uma fortuna pela Amazônia

Outubro 18, 2006

Por rosenildo gomes ferreira

http://www.terra.com.br

Quem é o sueco Johan Eliasch, o dono da fabricante de raquetes Head, que empreende uma cruzada para arrecadar US$ 18 bilhões e salvar a floresta amazônica.

Os 5,1 milhões de quilômetros quadrados que compõem a Amazônia são responsáveis pela produção de 20% do oxigênio do planeta. A área também abriga 30% das reservas de água doce potável do mundo.

Apesar de sua importância para a humanidade, a região vem sendo devastada por queimadas, pela derrubada indiscriminada de árvores e pela poluição de seus rios.

Mas o milionário sueco Johan Eliasch, de 44 anos, quer mudar essa situação para melhor. Eliasch está à frente de uma verdadeira cruzada para salvar a Amazônia. Seu objetivo é levantar US$ 18 bilhões, montante que ele considera suficiente para solucionar os problemas da região.

“O mundo tem de pagar ao Brasil pelo serviço de proteção da floresta”, disse Eliasch à DINHEIRO. De seu quartel-general em Londres, o empresário controla a grife de material esportivo Head, cuja receita anual soma US$ 640 milhões, e busca financiadores para a causa.

A primeira reunião da série de encontros que ele pretende realizar nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia até o final do ano aconteceu há duas semanas na City, o coração financeiro da capital inglesa. Falando a executivos do setor de seguros, Eliasch lembrou que as mudanças climáticas foram as responsáveis por grandes catástrofes naturais no período 2004-2005, como o furacão Katrina (nos EUA) e o tsumani (na Ásia), que custaram indenizações recordes de US$ 83 bilhões no ano passado.

“Ações focadas na Amazônia podem reduzir as alterações climáticas em um razoável espaço de tempo, melhorando nossas vidas e o planeta”.

O projeto de Eliasch tem como principal vertente a criação de santuários ecológicos administrados por particulares. Em 2005, ele próprio adquiriu 160 mil hectares (equivalente a quase 200 mil campos de futebol) no Estado do Amazonas, tirando de cena uma madeireira ilegal. Gastou cerca de US$ 10 milhões.

A transação teve o aval da noiva, a brasileira Ana Paula Junqueira, de 35 anos, que tentou (sem sucesso) duas vezes se eleger deputada federal: em 1994 (pelo PMDB) e em 1998 (pelo PFL). Filha de fazendeiros, ela é conselheira de Eliasch para assuntos ecológicos.

O empresário diz que uma parte dos US$ 18 bilhões seria drenada para programas governamentais de saúde, educação e infra-estrutura para os 20 milhões de habitantes da região.

Se Eliasch é capaz disso tudo? Provavelmente.

O empresário tem uma vasta rede de contatos na Europa que reúne empresários e políticos. Na sua base, a Inglaterra, ele é um dos principais doadores do Partido Conservador, do qual integra a comissão de finanças. Freqüenta com desenvoltura a realeza britânica. No mundo dos negócios ele é tido como um financista habilidoso, que fez fortuna recuperando empresas endividadas. Foi assim com a Head. Quando assumiu o negócio, a companhia estava à beira da falência, com prejuízo de US$ 65 milhões.

Sua proposta “verde”, contudo, é vista com desconfiança por empresários e ecologistas brasileiros. “Trata-se de uma idéia simplória, incapaz de alterar a realidade local”, critica Sérgio Amoroso, dono do Grupo Orsa, que controla o Projeto Jari de papel e celulose, situado no Amapá. Amoroso também é contra o uso de recursos privados para financiar o governo.

“É preciso criar mecanismos que garantam renda permanente à população. “E é isso que falta na propriedade recém-adquirida por Eliasch.

Ao desbaratar a madeireira ilegal, o dono da Head “salvou a floresta”, mas acabou com a fonte de renda de mil pessoas ligadas à madeireira. Como compensação, ele permitiu que eles coletassem castanha e açaí na área.

Já Roberto Klabin, herdeiro da fábrica de papel da família e dono do resort Refúgio Ecológico Caiman, situado no Pantanal, apóia Eliasch.
“A Amazônia se transformou em terra de ninguém porque o governo não assume suas responsabilidades. A compra de terras já se mostrou uma opção viável no Chile e na Argentina”.

Ted Turner, fundador da CNN, o investidor George Soros e o empresário italiano Luciano Benetton são alguns dos poderosos que compraram terras e as transformaram em santuários ecológicos nos dois países. “São esses milionários que Eliasch quer seduzir para a sua causa”.

Brasília se mantém alheia à iniciativa. Um integrante do primeiro escalão do governo federal, que pediu para não ser identificado, argumentou que o empresário ainda não procurou formalmente as autoridades.

A fonte rebateu as acusações de que o governo Lula abandonou a região, citando a criação das Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), um projeto tocado pela ONG Fundo Brasileiro para a Biodiversidade e que deverá movimentar US$ 391 milhões até 2016.

“Os recursos virão do Banco Mundial, do Banco Alemão de Desenvolvimento e do governo brasileiro. A meta é implantar e gerir 50 milhões de hectares de reservas florestais, um território maior que a Espanha”.

“Para o biólogo Paulo Moutinho, coordenador do programa de mudanças climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, atitudes isoladas têm pouca eficácia”.
Ele diz que o primordial seria a união de ecologistas, empresários e governo na luta antidesmatamento. Sua proposta é que se pague ao governo brasileiro pela redução na taxa de derrubada de árvores.

“Segundo Moutinho, a queda de apenas 10% no índice médio de destruição da Amazônia (que é de 20 mil km2 por ano) renderia ao País US$ 400 milhões. “A conta baseia-se no mercado de créditos de carbono, pelo qual empresas e governos de nações ricas pagam aos países, que ainda têm vastas áreas verdes, compensações por emitir gases danosos na atmosfera”.

Como a Amazônia tem um estoque de 80 bilhões de toneladas de carbono, a “venda” desse ativo poderia render até US$ 160 bilhões.

A briga de Eliasch está só começando.

“Porém, antes de conquistar apoio mundo afora, ele precisará provar que é capaz de vencer uma floresta que já “devorou” figuras como Henry Ford e Daniel Ludwig, cujos empreendimentos de extração de borracha e celulose soçobraram diante da realidade amazônica.

Parte da Amazônia vai parar nas mãos de milionário sueco

Agosto 20, 2006

São Paulo, 2 de Junho de 2006

 

Magnata comprou há dois meses pedaço da floresta equivalente à  área total de Londres. Johan Eliasch, empresário britânico de origem sueca, é um magnata. Até aí nenhum problema.

Mas sua excentricidade deve criar uma guerra nacionalista no Brasil.

O milionário europeu anunciou há dois meses a compra de um latifúndio -cujas dimensões superam a área total da cidade de Londres (cerca de 10 milhões de m²-, em território brasileiro, com finalidade declarada de preservação integral do ecossistema amazônico (proteção da fauna, flora e demais elementos naturais) nos limites do imóvel.

Apesar da boa intenção de Eliasch, sua atitude não está isenta de riscos públicos e privados, que podem, mesmo diante deste ato de “penitência ecológica”, causá-lo “pesadelos”, adverte o advogado do escritório Braga & Marafon Advogados e Consultores, Antonio Lawand. “Os riscos não são intransponíveis, basta ao aspirante a proprietário seguir a lição dos ambientalistas: a prevenção. Isso ele está fazendo, mas é preciso identificar os riscos do negócio e os cuidados naturais que todo proprietário de terras deve ter”, ressalva.

A advogada Flavia Frangetto, do Siqueira Castro Advogados, lembra que o empresário pode sofrer represálias, por ser estrangeiro que não possui residência no País. “A lei é clara. Só podem comprar terras (de preservação ambiental) no Brasil o estrangeiro que possuir residência permanente no País. Não sei se no caso dele (Johan Eliasch) pode haver alguma exceção. Se houver precedentes com certeza uma onda nacionalista vai nascer no Brasil”, conta a advogada.

Flavia explica que o empresário não precisa pedir nenhum tipo de autorização aos órgãos oficiais para adquirir a área. “A não ser que fosse uma ilha. Mas o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama não pedem nada.”

O valor da área adquirida não foi revelada, bem como seu antigo dono.
Antonio Lawand admite a onda nacionalista, mas crê que xenofobia pode gerar problemas ao País. “Creio sim que existam essas questões, mas basta ele tomar outros cuidados como a investigação imobiliária. Em razão das características geopolíticas da região amazônica, a prospecção deverá atingir outros campos, que não os tradicionais.” à% comum imóveis localizados na zona rural e áreas de cobertura vegetal intocada da Amazônia.

Também há problemas com grilagens, posseiros, intervenções e auditagens nos cartórios de registro, questões demarcatórias, inclusão em áreas de parques ou reservas indígenas, multas ambientais, dentre outros”, disse Antonio Lawand, afirmando ainda que Eliasch deve inaugurar no Brasil um ciclo na área de negócios envolvendo crédito de carbono. Em greve há duas semanas, o Ibama não tomou conhecimento do assunto.