Arquivo da categoria ‘politica internacional’

Brasil proporá fundo para carbono

Novembro 2, 2006

01/11/2006

ANA MARIA MEJIA

BRASÍLIA – O Brasil vai propor a criação de um fundo global para compensar os países pobres que reduzirem o desmatamento nas florestas tropicais – e desta forma contribuir, para a mitigação do efeito estufa, no COP-12 (12ª Conferência das Partes) da Convenção do Clima da ONU, que começa no próximo dia 6 em Nairóbi, no Quênia.

A ministra do Meio Ambiente Marina Silva considera que a lógica é simples: as árvores da floresta tropical estocam, em seus troncos, folhas e raízes, grandes quantidades de carbono. Quando elas são derrubadas e queimadas, esse carbono é lançado na atmosfera na forma de CO2, ou gás carbônico, o principal responsável pelo efeito estufa (aprisionamento do calor da terra na atmosfera). Estima-se que de 20% a 25% das emissões globais anuais de CO2 venham do desmatamento.

Coincidentemente, o Banco Mundial divulgou um documento, no início da semana passada, no qual afirma que o carbono que deixou de ser emitido pelo desmatamento é a grande “oportunidade inexplorada” pelo planeta para reduzir a pobreza e ao mesmo tempo conservar a biodiversidade e ajudar a resolver a crise climática.

O documento organizado pelo principal economista ambiental do Bird em Washington, o americano Kenneth Chomitz e intitulado “Em Desacordo? Expansão Agrícola, Redução da Pobreza e Ambiente nas Florestas Tropicais”, indicam a relação, em números, entre pobreza e desmatamento em todas as áreas de floresta tropical do planeta.

O estudo mostra que há desmatamentos lucrativos, a exemplo do cerrado goiano, onde o hectare de terra desmatada chega a valer R$ 6 mil, o que significa muito dinheiro no bolso do produtor e um estímulo a empurrar a fronteira agrícola para a frente. “Na fronteira amazônica, produtores desmatam para criar pastagem que rende em média US$ 300/hectare”, cita.

Atualmente, o preço do carbono no mercado europeu está em torno de US$ 16 por tonelada, logo valeria a pena ter o fundo para comercializar o carbono. “Uma floresta densa pode ter até 500 toneladas de carbono,se desmatar, você está queimando um ativo de US$ 8 mil para ganhar US$ 300. Isso não faz muito sentido para mim., afirmou Chomitz.

Munido de todas essas informações, quem sabe o governo brasileiro consiga formalizar um acordo internacional pelo qual os países industrializados paguem as nações tropicais para reduzir o desmate. Um próximo passo seria usar essa compensação para estabelecer programas nacionais de incentivo à agricultura em zonas já desmatadas.

Britânicos negam querer privatizar Amazônia

Outubro 18, 2006

Ministro diz que notícia de jornal inglês é uma grande distorção
Emílio Sant’Anna

http://txt.estado.com.br

Distorção.

Assim o ministro britânico de meio ambiente, David Miliband, classificou a notícia publicada domingo no jornal inglês Daily Telegraph de que o governo da Grã-Bretanha teria interesse em elaborar um fundo internacional para financiar a aquisição de largas porções de terra na Amazônia. A publicação causou mal-estar na delegação brasileira que participa da 2ª Reunião Ministerial do Diálogo de Gleneagles sobre Mudança do Clima, Energia Limpa e Desenvolvimento Sustentável, com a presença de países membros do G8 mais Brasil, China, Índia e África do Sul, em Monterrey, no México.

De acordo com o periódico inglês a intenção do governo britânico seria comprar a floresta e transformá-la num trust internacional. Suas árvores seriam vendidas a grupos e indivíduos – como o multimilionário sueco Johan Eliasch, que, segundo a reportagem, comprou no início do ano mais de 160 mil hectares da floresta por 8 milhões de libras (R$ 32,5 milhões).

Ainda segundo o Daily Telegraph, David Miliband admite que o projeto poderia causar ‘problemas de soberania’ ao Brasil, em cujo território está a maior parte da Amazônia.

Durante o primeiro dia do encontro, a delegação inglesa não fez nenhum tipo de anúncio sobre a suposta intenção. A delegação brasileira também dizia não saber de nada.

Finalmente na tarde de ontem, o secretário-executivo do Meio Ambiente, Cláudio Langone, chefe da delegação brasileira, foi procurado informalmente pelo ministro Miliband para desfazer o que chamou de mal-entendido. O britânico assegurou que a imprensa inglesa distorceu suas idéias e que nunca se falou em privatização da floresta amazônica. ‘Conversamos com o ministro, que garantiu se tratar de um mal-entendido’, disse Langone ao Estado.

Segundo o secretário brasileiro, Miliband disse defender todas as iniciativas para a redução do desmatamento e emissão de gases que causam o efeito estufa.E reiterou que não faria nenhum tipo de proposta que ferisse a soberania brasileira sobre a Amazônia. ‘Não aceitaríamos nada nesse sentido’, reforçou o secretário.

Um encontro oficial entre os dois estava marcado para o final da tarde de ontem, em Monterrey. ‘O Brasil tem uma proposta de criação de um fundo para os países que consigam diminuir o desmatamento’, disse Langone.

Governo inglês divulga plano para privatizar a Amazônia

Outubro 18, 2006

da Folha de S.Paulo

03/10/2006 – 10h07

O governo inglês, por meio de David Miliband, secretário de Meio Ambiente britânico, divulgou na semana passada no México um plano para transformar a floresta amazônica em uma grande área privada. O anúncio foi feito em um encontro realizado na cidade de Monterrey, segundo informou o jornal “Daily Telegraph”. O evento reuniu os governos dos 20 países mais poluidores do mundo.

A proposta inglesa, que conta com o aval do primeiro-ministro Tony Blair, visa a proteger a floresta, segundo Miliband. O próprio político admitiu que a idéia está em seu estágio inicial e que será preciso discutir as questões de soberania da região com o Brasil.

O plano prevê que uma grande área da Amazônia passaria a ser administrada por um consórcio internacional. Grupos ou mesmo pessoas físicas poderiam então comprar árvores da floresta.